Como prevenir os danos relacionados ao uso de álcool?

Quem responde é Maristela Monteiro, da OPAS, em artigo publicado na Revista

Epidemiologia e Serviços de Saúde (por Camila Oliveira)


Artigo redigido por Maristela Monteiro, da Organização Pan Americana de Saúde,sediada em Washington, trata das políticas públicas para a prevenção dos danos relacionados ao consumo de álcool. Apesar de não ser um artigo recente (foi publicado em 2016), trata de realidade atual sobre a deficiência mundial na formulação e implementação de políticas públicas para reduzir o efeito nocivo do consumo de álcool nas populações. Mesmo em se tratando de substância que é reconhecidamente um dos principais fatores de risco para a perda de saúde da população mundial, pouco tem sido feito. O consumo do álcool per se, ou seja, não apenas o consumo excessivo, causa intoxicação em nível celular e nos tecidos, causando efeitos imunossupressores, teratogênicos e carcinogênicos, além da possibilidade de acarretar dependência e outros transtornos mentais.

As políticas públicas para o álcool visam criar medidas que deveriam ser

implantadas a nível nacional para controlar o consumo desta substância psicoativa, reduzindo, assim, o seu consumo. Nesse sentido, a restrição da disponibilidade econômica, física e de marketing são as principais medidas custo-efetivas, ou seja, cientificamente comprovadas, que tem como objetivo diminuir o consumo total das bebidas alcoólicas.

A atuação sobre a disponibilidade econômica inclui o aumento dos impostos,

e consequentemente dos preços, visando a redução do consumo. Promoções de

descontos, como happy hour ou open bar, vendas a crédito ou em grandes

quantidades para consumidores individuais, oferta gratuita em eventos, entre outras medidas promocionais, incentivadoras da compra e consumo de cerveja e outras bebidas, aumentam os riscos de consequências negativas para a saúde. Sobre a disponibilidade física, podem ser definidos os locais onde o consumo é permitido, excluindo certos lugares e ambientes públicos como, por exemplo, praias, edifícios públicos, praças, eventos culturais e esportivos de massa, estádios desportivos, entre outros. Esta medida implica em menores riscos e efeitos danosos do álcool para toda a população.

Em relação ao marketing, é marcante a influência da indústria do álcool na

formulação e implementação de políticas públicas, sendo um fator decisivo para a

inercia governamental. É necessário impor limites ao patrocínio de campanhas políticas por essas indústrias, de modo a tornar o debate sobre o álcool mais justo, com a participação e contribuição consciente e equilibrada da sociedade civil e seus representantes. As organizações não governamentais, as sociedades científicas e de profissionais de saúde poderiam assumir um papel importante nessa tarefa ao passar a

monitorar as ações da indústria de bebidas.


Link para o artigo original:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-96222016000100171

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