Fidelidade de entrevistas motivacionais em intervenções e pesquisas escolares

Por Júlia D. Gusmões


Um aspecto da implementação de intervenções que vem sendo amplamente estudado é a fidelidade, que pode ser entendida como o quanto os profissionais mantém a oferta das práticas de programas baseados em evidências conforme prescrito ou pretendido. Ela é peça-chave para o sucesso de um programa e sua avaliação fornece evidências sobre a qualidade da entrega e previne futuros entraves na aplicação.

Recentemente, foi publicado um artigo na revista Prevention Science que avaliou a fidelidade de entrevistas motivacionais. Essas entrevistas se resumem a um estilo de comunicação colaborativa baseado em evidências o qual, cada vez mais, tem sido aplicado em ambiente escolar com os alunos, famílias e dentro equipes de resolução de conflitos escolares.

No caso do estudo em questão, foram utilizados dados de fidelidade da implementação das entrevistas motivacionais de 245 conversas gravadas em áudio com 113 pais e 20 profissionais implementadores, os quais implementaram uma intervenção parental escolar, que visava dar suporte aos pais (ou responsáveis) cujos filhos estavam prestes a reprovar. As pontuações de fidelidade evidenciaram que os procedimentos de treinamento para implementação das entrevistas motivacionais e suporte durante a aplicação foram eficazes para ajudar o pessoal da escola a implementá-las com níveis razoáveis ​​de conformidade ao que havia sido previsto e proposto, sem grandes alterações no conteúdo. Além disso, os resultados sugerem que a fidelidade variou entre as sessões e entre os profissionais que as aplicavam e a variação na qualidade da implementação entre os profissionais foi muito grande, o que certamente pode afetar os resultados da intervenção.

Assim, é importante que se saiba o nível de treinamento necessário para que os implementadores da intervenção a apliquem de uma forma uniforme, com menor variação. Ainda, também faz-se importante a replicação desse estudo para que se conheçam também as variações existentes entre escolas e entre os públicos-alvo, já que a metodologia da EM caberia também para professores e alunos, além de pais.


Fonte: https://link.springer.com/article/10.1007/s11121-020-01167-7