O câncer está associado a diversos fatores de risco relacionados ao estilo de vida

Por Juliana Plens


Hábitos modificáveis relacionados ao estilo de vida da população como

tabagismo ativo e passivo, consumo de bebidas alcoólicas, sobrepeso e obesidade, representados por aumento no índice de massa corporal (IMC), falta de atividade física e dieta pouco saudável com baixo consumo de fibras, frutas e vegetais são considerados fatores que contribuem para o aumento do número de casos e de mortes por câncer. Estudar tais comportamentos é de extrema importância para que se desenvolvam estratégias de prevenção relevantes para a saúde pública de uma nação, em especial, quando o câncer é a principal causa de mortalidade e anos de vida perdidos por incapacidade. Uma das causas que contribuem para esse cenário atual são as rápidas mudanças no estilo de vida desta população nas últimas décadas, em especial no que diz respeito aos fatores de risco associados ao desenvolvimento do câncer, pois sabe-se que de 30 a 50% de todos os tumores malignos são atribuíveis a fatores de risco modificáveis.

Baseado em tais conhecimentos, um estudo foi realizado na população chilena em 2018 com o objetivo de estimar a proporção de casos e mortes associados a 19 tipos diferentes de câncer que poderiam ter sido evitados caso alguns hábitos presentes no estilo de vida daquela população fossem modificados, eliminando ou reduzindo a exposição das pessoas aos mesmos. Foram levantados e analisados dados sobre exposição a tais fatores de risco de pesquisas de saúde representativas daquela população e de alguns estudos já publicados na literatura científica internacional.

Naquele ano 30% de todos os casos de câncer (15.097 de 50.320 casos) e 36,3%

de todas as mortes por câncer (10.155 de 28.010 mortes) foram atribuídos a fatores de risco ligados ao estilo de vida da população. Não houve diferença significativa entre os sexos em relação à incidência (30,7% em homens e 29,3% em mulheres,

respectivamente), porém os homens morreram mais de câncer (39,1%) do que as

mulheres (33,1%). O tabagismo e o alto IMC foram os fatores que contribuíram para a maioria dos casos (9.232 e 4.394, respectivamente) e mortes (6.868 e 2.572,

respectivamente) por câncer.

Nos homens 3,7% dos cânceres foram atribuíveis ao álcool enquanto em

mulheres esse valor foi de 2%. Já em relação ao IMC houve uma maior proporção de cânceres atribuíveis ao alto IMC nas mulheres em relação aos homens (10,4% e 7,1%, respectivamente). Ainda em relação à incidência de câncer, a ingestão de bebidas alcoólicas foi considerada a terceira maior causa a contribuir para o aumento da incidência de câncer em homens (3,7%), seguida da inatividade física (1,3%) ao contrário das mulheres em que o terceiro maior fator de risco a contribuir para a incidência de câncer foi a inatividade física (3,9%), seguida da alta ingesta de álcool (2%).

Acerca da mortalidade por câncer devido ao estilo de vida o ranking foi similar ao da incidência, sendo a terceira maior causa atribuível à mortalidade por câncer na população masculina a ingesta de álcool (4,3%) e nas mulheres a inatividade física (3,4%). Os resultados mostraram que, caso os fatores de risco fossem eliminados, cinco tipos de câncer (laringe, esôfago, pulmão, cavidade oral e vesícula biliar) poderiam ter sua incidência diminuída pela metade.

Concluiu-se que, dentre todos os fatores de risco associados ao estilo de vida

estudados naquela população o tabagismo e o alto índice de massa corporal lideraram em termos de associação com casos e mortes preveníveis por câncer e o álcool é o terceiro fator que mais contribui. Esse tipo de estudo é muito importante para que estratégias para a prevenção e controle de câncer baseadas em evidências sejam implementada, bem como para a criação de políticas públicas que encorajem as pessoas a adotarem um estilo de vida mais saudável.





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