O consumo de álcool aumenta o risco de diversos tipos de lesões

Por Juliana Plens


Aproximadamente quatro milhões e meio de pessoas morreram em decorrência de ferimentos em 2019. O álcool contribui de maneira muito importante não apenas para a perda prematura de vidas, mas também para invalidez e problemas de saúde relacionados a ferimentos, afetando indivíduos, famílias e sociedades em todo o mundo. As estimativas dos custos humanos e econômicos das lesões relacionadas ao álcool não deixam dúvidas de que a carga global é muito grande. Sabe-se que o impacto nos países de baixa e média rendas é provavelmente muito maior do que as estatísticas atuais indicam.

Devido à complexidade de toda a extensão das consequências de curto e longo prazo associadas ao uso do álcool, incluindo doenças crônicas, problemas de saúde mental, como suicídio, e redução do bem-estar, é provável que muitas décadas sejam necessárias antes que os mecanismos causais envolvidos sejam totalmente compreendidos e quantificados. Um estudo recente visou esclarecer o papel causal do álcool em lesões, concentrando-se resultados derevisões sistemáticas e meta-análises.

Mesmo em níveis baixos a moderados, observa-se que o álcool prejudica o equilíbrio, o foco visual, o tempo de reação, o julgamento e altera o comportamento. Em doses altas, a intoxicação pode resultar em perda de consciência, coma, insuficiência respiratória, pneumonia por aspiração e morte. Há uma forte concordância entre dados de estudos laboratoriais experimentais que demonstram perdas cognitivas e de desempenho e estudos de neuroimagem que demonstram ações farmacológicas e fisiológicas do álcool no cérebro que implicam fortemente nas vias causais ao risco de lesões. Fatores externos como o ambiente (por exemplo, casa, bares, parques), preço e disponibilidade física do álcool têm grandes impactos na ocorrência de lesões causadas pelo álcool em nível populacional.

Violência interpessoal, suicídio e outras lesões auto-induzidas, lesões ocorridas em vias públicas como os que envolvem veículos, ciclistas e pedestres, quedas, afogamentos, lesões decorrentes de frio ou calor excessivo, como hipotermia ou queimaduras, acidentes no local de trabalho e intoxicação pesada por álcool são exemplos de lesões causadas pelouso dessa substância.

Tendências globais crescentes no consumo de álcool apontam aumentandos demais de um litro por pessoa até 2030. O aumento do consumo combinado com o envelhecimento da população e maior consumo de álcool em casa possivelmente causará mudanças na distribuição e magnitude das lesões atribuíveis ao álcool nas próximas décadas. Essas mudanças podem aumentar os desafios enfrentados pelos governos que já lutam para gerenciar sistemas de saúde, policiamento e serviços sociais sobrecarregados.

Tendo-se a clareza de que mesmo níveis muito baixos de álcool no organismo podem causar prejuízos importantes à saúde, políticas focadas no consumo do álcool em nível populacional que reduzam sua disponibilidade, bem como aquelas voltadas especificamente para reduzir a direção sob uso do álcool devem ser priorizadas pelos governos a fim de minimizar os danos relacionados ao álcool em suas várias formas e contribuir para lidar com a principal causa mundial de morte prematura entre pessoas em seus anos mais produtivos.


Fonte:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8401155/pdf/nutrients-13-02777.pdf