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Pais, não ofertem álcool a seus filhos!

Estudo australiano avalia o efeito da oferta de álcool aos adolescentes pelos próprios pais e por outros meios


Por Patrícia Galvão


Apesar dos limites legais de idade estabelecidos para o consumo de álcool, os pais são os principais fornecedores de álcool a menores de idade.

Pesquisadores australianos acompanharam por seis anos (entre 2010 e 2016) um grupo de adolescentes e seus pais e observaram a oferta de bebida alcoólica desses pais aos seus filhos, tanto de pequenos goles quanto de dosagens completas (10 g álcool), e também, a oferta por outros adultos, por amigos, por irmãos e o autossuprimento.

Estes pesquisadores concluíram que a oferta de qualquer quantidade de álcool pelos pais em um ano aumentou significativamente as chances desses adolescentes receberem álcool de outras fontes no ano seguinte quando comparados aos adolescentes cujos pais não lhes ofertou álcool. A oferta pelos pais mesmo de pequenos goles dobrou as chances de recebimento de álcool por outras fontes no futuro e a oferta pelos pais de doses inteiras de álcool mais que dobrou as chances desses adolescentes receberem álcool de outras pessoas no ano seguinte, o que sugere que a oferta de álcool normaliza o consumo pelos adolescentes e estes passam a se sentir mais seguro em aceitar ofertas de diversas outras fontes posteriormente.

Os achados apontam para um realidade nem sempre compreendida pelos pais: oferecer álcool a seus filhos não é uma forma de protege-los. Como pesquisas anteriores já encontraram uma associação entre danos relacionados ao álcool e o fornecimento por terceiros, o fornecimento de álcool pelos pais antes da idade mínima (18 anos) deve ser evitado para proteger contra o fornecimento futuro por outras fontes.



Fonte: Boland et al, 2020 - https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/add.15033