Tempo de tela excessivo está associado a menores habilidades motoras em crianças de idade pré-escola

Por Julia Gusmões


Recentemente foi publicado um estudo brasileiro, realizado com 926 crianças de 27 pré-escolas de Embu das Artes (SP), antes da pandemia, que investigou a associação de habilidades motoras e o uso de mídia de tela. O que já se sabe é que a exposição excessiva à mídia em tela na infância é um grande indicador de futuro comportamento sedentário. Principalmente em tempos de isolamento social, é importante que possamos compreender melhor as associações existentes entre tempo de tela e comportamentos sedentários para pensarmos em implicações futuras às crianças brasileiras.

Modelos de regressão logística foram usados ​​para analisar as associações entre as habilidades motoras das crianças e uma série de exposições como uso de mídia em tela, hábitos de tela, atividade física e duração do sono.

Os resultados encontrados evidenciaram que mais de 55% das crianças faziam refeições enquanto assistiam à televisão e 28% passavam muito tempo assistindo televisão, jogando videogame ou usando o computador, tablet ou celular. Além disso, o uso excessivo de mídia em tela se mostrou associado com um aumento de 72% na chance de a criança apresentar menores habilidades motoras, bem como com o aumento de 90% das chances de as crianças serem inativas. A duração do sono à noite também mostrou estar associada a diminuição da chance de a criança apresentar uma habilidade motora reduzida em 51%, já o sono diurno mostrou diminuir as chances em 33% de a criança apresentar uma habilidade motora reduzida.

Desta forma, os pesquisadores concluem que o uso excessivo de mídia em tela parece estar associado a habilidades motoras deficientes e ao aumento da inatividade física em crianças pré-escolares, especialmente entre aquelas com exposição prolongada às telas.

Essas descobertas são importantes alertas para os pais sobre as consequências do tempo de tela para crianças e podem motivar a criação de políticas públicas que encorajem esportes e outras estratégias de promoção da saúde distantes dos aparelhos eletrônicos.


Fonte: https://www.liebertpub.com/doi/abs/10.1089/cyber.2019.0238