Uso de celular pelos pais durante as refeições em família compromete práticas alimentares saudáveis

Por Mireille Almeida

Os pais desempenham um papel essencial no desenvolvimento dos hábitos alimentares de seus filhos. Práticas positivas de alimentação dos pais e uma maior frequência de refeições em família estão relacionadas a hábitos alimentares mais saudáveis das crianças. No entanto, ultimamente os pais têm ficado cada vez mais distraídos com o telefone celular durante as refeições.

Nesse sentido, um estudo norueguês publicado em abril pela BMC Public Health investigou o uso de telefone celular pelos pais durante as refeições e sua associação com as práticas alimentares familiares. Através de uma pesquisa transversal realizada em 2017 e 2018, envolvendo 298 pais que responderam voluntariamente um questionário sobre práticas alimentares, incluindo frequência de refeições em família e uso do celular nas refeições, os autores apontaram que cerca de 40% dos pais revelaram uso do celular durante as refeições em família. Além disso, eles concluíram que quanto maior esse uso, menores as práticas alimentares positivas, como modelagem e ambiente familiar favorável e maiores as práticas negativas, como regulação emocional e uso de pressão para comer. O uso de celular pelos pais também estava relacionado a uma menor frequência de refeições em família, tanto café da manhã quanto jantar.

Dessa forma, percebemos que o uso do celular durante as refeições é um comportamento comum entre os pais, mas que pode estar comprometendo a qualidade das refeições familiares compartilhadas e resultando em práticas alimentares menos saudáveis para as crianças. Essas descobertas destacam a importância de conscientizar os pais sobre os prejuízos provocados por distrações durante as refeições.



Fonte: Vik, F. N., Grasaas, E., Polspoel, M., Røed, M., Hillesund, E. R., & Øverby, N. C. (2021). Parental phone use during mealtimes with toddlers and the associations with feeding practices and shared family meals: a cross-sectional study. BMC Public Health, 21(1), 756. https://doi.org/10.1186/s12889-021-10757-1